A ressurreição e a vida.

Matteus Almeida
6 min readMar 6, 2023
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Evangelho de João 11.1–44.

A história relatada por João sobre a ressurreição de Lázaro (João 11.1–44) é bastante conhecida por toda a cristandade, notemos como este episódio é marcante para a vida de muitas pessoas no decorrer dos séculos. Os primeiros cristãos foram bastante impactados, arqueólogos encontraram vestígios de pelo menos quatro igrejas que existiam na região de Betânia, a mais antiga datando do séc. IV. De alguma forma, seguramente este milagre de Jesus foi muito importante para a região. Afinal, até hoje, o local existe e chama-se “o lugar de Lázaro”.

O grande milagre de Jesus acontece durante um funeral. Se você já participou de um funeral sabe que é um ambiente pesado, de luto, tristeza e às vezes nós não temos nem mesmo palavras para a família enlutada. É um ambiente difícil.

JESUS NÃO SE ATRASA

Existe um ditado popular que diz: “Deus escreve certo por linhas tortas.” De certa forma, o ditado tem razão. Deus sempre faz com que os seus bons planos aconteçam de maneiras inesperadas para nós. Ainda que pensemos que tudo esteja perdido, Deus nos surpreende escrevendo sempre certo, fazendo com que a sua glória seja alcançada por meios inimagináveis. No inicio do nosso texto, João afirma que Marta e Maria, haviam mandado uma notícia para Jesus dizendo que Lázaro estava bastante doente. A partir daí, as duas irmãs precisaram lidar com a angústia e a preocupação de ter ao seu alcance apenas a espera pela chegada do Mestre. Em muitas situações de nossa vida, não temos recursos humanos o financeiros para mudar as coisas. Apenas nos resta esperar.

Pela perspectiva humana, Jesus não chegou a tempo. Lázaro ficou enfermo até a morte. Com isso, Marta e Maria fazem o mesmo questionamento: “Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido.” (João 11.21 e 32). O que poderia dar tanta certeza para as irmãs que a presença de Jesus não permitiria que a enfermidade ceifasse a vida de Lázaro? Ora, a família de Lázaro era muito amada por Jesus (João 11.5), o Nosso Senhor constantemente fazia o bem a muitos necessitados, cegos eram curados, endemoniados eram libertos, coxos voltavam a andar. Se Jesus fazia o bem à indivíduos deconhecidos, por que não aliviaria o sofrimento de um amigo, de uma família que era alvo do seu amor e afeição?

Em diversas situações nós queremos ensinar Deus a ser Deus. “Ah Senhor, mas se tal coisa acontecesse seria melhor para todos…” ou quem sabe “se tal problema não existisse mais, com certeza seria bom para mim.” Para nós, o amor de Deus somente é verdadeiro quando as coisas acontecem da forma que imaginamos ser a correta. Caso contrário, não nos sentimos amados. Deus ficou em silêncio e nos deixou. Todavia, o fato de Deus não fazer exatamente o que esperamos não significa que o Todo-Poderoso não se importa, ou que está ocupado demais com outros assuntos para nos ouvir, é somente que a sua santa sabedoria possui outros planos inefáveis. Pense em quantas situações em sua vida, as coisas não saíram como você imaginava, porém, no final, tudo ficou bem.

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos!” (Romanos 11.33)

QUEM JESUS AMA TAMBÉM SOFRE

Há uma verdade central no cristianismo. Aqueles que são alvo do amor de Deus que recebem o seu cuidado cotidianamente, também sofrem. Jesus amava Lázaro e sua família, mas isso não impediu que Lázaro padecesse até a morte. Notemos que a morte chegou após períodos de dor e sofrimento. O Senhor Jesus que tinha poder suficiente para curar a enfermidade de Lázaro poderia fazê-lo se quisesse. O questionamento das irmãs não é válido, afinal, se Jesus desejasse a cura do seu amigo bastaria uma única palavra lançada de onde ele estivesse (Mateus 8.13). Contudo, este é o questionamento que muitos de nós fazemos: por que Deus não faz? Por que Deus faz na vida de outros? Por que outros foram curados e aquele que amo não foi? Será que temos fé suficiente para recebermos um “não” da parte de Deus? E se Deus não fizer exatamente aquele que você espera, como reagir? Quando o Senhor não faz é porque os planos divinos são outros.

Geralmente a enfermidade nos impulsiona a buscar mais a Deus em oração e leitura bíblica. Os nossos corações ficam quebrantados, humildes, dependentes da misericórdia e ansiosos pelo favor divino. Apesar do avanço da medicina e dos tratamentos médicos, o homem diante da enfermidade é impotente. A enfermidade escancara para nós que este mundo no qual vivemos é passageiro, é uma realidade transitória que aguarda a consumação final. É necessário crer que Jesus nos ama na saúde e na doença, na prosperidade e na pobreza.

Jesus demora intencionalmente dois dias antes de chegar à casa de Lázaro. Naturalmente somos impacientes diante da provação, por isso, tenham em mente que somente suportaremos as tribulações da vida com uma firme conviçção da perfeita sabedoria divina. Lembremos que o Médico de nossas almas nunca errou uma cirurgia.

JESUS É O BOM AMIGO

Quando você está passando por necessidades, quem você busca? Qual o primeiro nome que vem a sua mente? Um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão. Quando Lázaro adoece Marta e Maria sabiam muito bem a quem procurar, as irmãos recorrem a um Amigo.

Quando houverem enfermos em nossa família ou conhecidos, não podemos medir esforços para oferecer o melhor tratamento médico possível, os melhores medicamentos disponíveis. Todavia, é necessário recorrer ao Amigo que todo cristão possui (João 15.15). Ainda que as pessoas que amamos nos abandonem, Jesus nunca nos abandonará (Hebreus 13.5), temos um verdadeiro Amigo que nos socorre em tempos de angústia e necessidade.

A amizade com Deus supera o vínculo da morte. Ainda depois de morto, Jesus chama Lázaro de amigo. Os cristãos estão unidos com Jesus e nada pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8.39), pois estamos em Cristo. As amizades deste mundo geralmente não suportam o teste do tempo e da adversidade, quando estamos vivendo tempos de paz e prosperidade, as nossas casas são cheias de pessoas. Contudo, quando a dor e a miséria chegam, apenas os verdadeiros amigos permanecem. Porém, a amizade com o Filho de Deus é mais forte que a morte e vai além do túmulo.

CRER EM JESUS É CONFIAR AINDA QUE RESTE DÚVIDAS

Ao ver Jesus, Marta dá uma declaração enfática de confiança no Senhor: “Eu creio que o senhor é o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.” (João 11.27). Uma afirmação incrível, digna de uma confissão de fé histórica. Todavia, a mesma Marta momento depois tem dúvidas. Jesus pede para que abram o túmulo, porém Marta diz que já está fedendo pois é um cadáver de quatro dias. Onde está a Marta confiante? Será que esta experiência é exclusiva de Marta? Quanto de nós não somos semelhantes? É o que passamos, alguns momentos estamos cheio de fé, encorajando a outros. Por outro lado, em outros momentos, parece que nada faz sentido.

Um maior conhecimento a cerca de Jesus nos pouparia de muitas frustações e preocupações. Se Jesus é o nosso Amigo fiel, se há o amor divino derramado em nossos corações, não há motivos para duvidar e ter uma fé vacilante. Uma maior meditação nas verdades eternas e promessas divinas nos ajudará a desenvolver maior confiança na sabedoria de Deus.

JESUS TRIUNFA SOBRE A MORTE

O texto demonstra que Lázaro volta a vida. Porém, traz consigo muitos outros. Notemos que havia uma multidão de pessoas acompanhando o desfecho da história, estes individuos saíram de Jerusalém para consolar a família enlutada. O milagre da ressurreição de Lázaro prova inequivocamente que Jesus é o Filho de Deus. O Nosso Senhor ora a Deus publicamente para que as pessoas pudessem crer que Ele era o Messias enviado ao mundo (João 11.42).

O Mestre diz: “Lázaro, vem para fora!”

Diante de muitas testemunhas, um homem retorna a vida. As garras da morte não podem negar o pedido daquele que é “A ressurreição e a vida”, a alma de Lázaro que já havia abandonado o seu corpo recebe a ordem para voltar a fim de que a identidade de Jesus como Filho de Deus pudesse ser confirmada. O sofrimento e morte de Lázaro contribuíram para que a Glória de Deus fosse anunciada entre aqueles que estavam mais mortos do que o próprio Lázaro (Efésios 2.1).

A grande maioria de nós morreremos (1 Coríntios 15.51). A morte é a experiência comum para toda a humanide. Apesar disso, temos a certeza que o túmulo frio não é o nosso destino final. Um dia, quando estivermos descansando de nossas obras (Apocalipse 14.13) ouviremos a mesma voz (1 Coríntios 15.52) que Lázaro ouviu, o Mestre nos chamará pelo nome para que possamos reinar juntamente com Ele (Mateus 25.34) para todo o sempre.

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Matteus Almeida

Missionário no Sertão Cearense. Uso o Medium para salvar os meus sermões e reflexões.